quinta-feira, 31 de maio de 2012

Corações curados


            Duas pessoas, dois corações partidos. Lembro que foi isso que pensei quando eu e você conversamos sobre nossos ex-casos, quer dizer, eu falei sobre o meu ex-caso e você falou sobre sua ex-namorada. Até fiquei com raiva quando você usou seu ar de desdém e disse “ahh você é nova ainda, não pode ficar assim por alguém que nem namorado foi” e eu quase retruquei que já estava começando a entender o motivo dela ter deixado você. Você e essa rabugice sem fim, essa paranoia toda sobre idades e relacionamentos, esse bla bla bla seu que hoje é tão atraente pra mim. Pois é, eu mordi a língua bem forte pra não falar e não parecer tão rabugenta quanto você, respirei bem fundo pra não dizer qualquer bobagem e perder a oportunidade de conhecer você. Valeu a pena.
                Valeu porque eu pude conhecer você e permitir que me conhecesse também. E pude aprender. Aprender que você é desses caras que colocam um sorriso no rosto independente dos mil problemas que tenha e que sua rabugice é apenas uma forma de proteção. Aprendi que você adora um futebol, mas que larga tudo pelos seus amigos e que é muito melhor ficar em casa agarradinho, escutando uma boa música do que dar uns amassos na parede de alguma boate. Eu aprendi sobre você a aprendi sobre mim também. Aprendi que eu posso acreditar em mil contos de fadas, mas minha insegurança não me deixa ver que o príncipe ao meu lado pode me querer. Aprendi que eu sei esperar, e que por mais que eu tenha vontade de pedir que você me jogue na parede e me ame no corredor, não há nada melhor que o momento que você me abraça e eu sinto seu cheiro em mim.
                Eu não esperava que fosse assim. Acreditei que você seria uma tentativa inútil de tentar curar meu coração partido, aquela tentativa frustrada que no final só me mostraria o quanto é idiota beijar uma boca, já que uma outra boca me desprezou. Acreditei que o seu coração quebrado, não seria consertado por uma garota tão inexperiente e boba como eu. E no fim das contas, olha só... Eu to aqui, rindo feito boba das coisas que você faz por mim e feliz por saber que você se importa comigo. E a gente está assim, de corações colados, curados. Duas pessoas e dois corações que já estão inteiros.

(Ivana Guimarães)
               

sábado, 26 de maio de 2012

Começos...


                Começos são aterrorizantes. Fins partem meu coração, mas são os começos que me dão calafrios. Não saber como agir, não saber o que esperar. Eu sei, a expectativa naquilo que estar por vir é deliciosa, o sorriso diante do inesperado é um sorriso gostoso e a sensação do coração batendo forte, também não é de se jogar fora. Mas ainda assim, começos me apavoram e talvez seja por isso, porque é bom. Pior que perder algo ruim é perder algo bom, geralmente quando algo acaba é por isso, porque não estava bom, porque as borboletas no estômago e o frenesi já não existiam mais.
                Medo do que é bom, tem coisa mais masoquista do que isso? TEM! Deixar de viver o que é bom porque tem medo. Já fiz muito isso, até perceber que aquela história que diz “a vida é feita de momentos” é um dos clichês mais verdadeiros que existe! Por isso eu pego o medo e mando lá pro fundo do meu coração – porque o medo é necessário, ele nos mantém com o pé no chão – e deixo todas as sensações falarem mais alto. Qual o problema de se permitir sonhar? Qual o problema de fantasiar? Você não sabe o que estar por vir, mas sabe o que está vivendo. Sabe que aquela voz tem mexido demais com seus nervos e que aquele sorriso tem ocupado demais o seu sonho. Você sabe que a vida na cidade nova vai ser muito diferente, mas sabe também que sua felicidade pode estar lá. E o colégio novo? Sabe qual o problema dele? É que você não foi se enturmar ainda. Sabe aquela música nova daquele cantor que você não suporta? Ela pode fazer você virar uma super fã dele.
                Dá medo? Dá sim, muito. Porque aquela outra história que diz que “no começo tudo são flores” também é um clichê verdadeiro. Tudo são flores sim, os primeiros beijos, os primeiros abraços, as primeiras amizades, as primeiras notas, as primeiras aulas... E até a primeira briga. É tudo delicioso, mas as dificuldades acabam aparecendo, porque nenhuma, entendeu? NENHUMA, história é perfeita – nem nos contos de fadas, nem naquele seu romance preferido – toda história tem erros e tropeços e toda história tem um fim. Se sabemos disso, porque vamos deixar de viver o que é bom? Vai que o fim é você e o carinha que você está super afim juntos, vai que o fim é você se mudando pra bem longe, encontrando aquela felicidade que você deseja? Se você não arriscar, nunca vai saber. E cá pra nós, as descobertas são deliciosas também. Então, um brinde aos começos que são apavorantes. Porque fim é certo, o começo é incerto e é isso que o torna delicioso.

(Ivana Guimarães)