quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Brinquedo guardado


             
            Fico pensando no quanto você me deixa intensa. Tudo é intenso quando se trata de você. O coração disparado, as borboletas no estômago, a dor da ausência, a alegria do reencontro, a esperança do sonhar acordada e principalmente o medo de perder.
                Já perdi outros caras antes e sobrevivi. Na verdade, a sensação de superar a perda é ótima. É como quando você é pequeno e deixa um brinquedo quebrar, até que no próximo aniversário você ganha outro, um brinquedo mais legal, que trás mais diversão. E você esquece aquele outro, deixa o que restou naquela caixa com todos os brinquedos sem importância. Mas sempre tem um brinquedo que não é só um brinquedo, é aquele que se quebrar nunca vai ser reposto. Como aquele ursinho, que a mulher - já com trinta anos – encontra quando está arrumando coisas antigas e fica horas se entregando àquelas lembranças. Intenso, como você.
                Eu sei, você deve estar fazendo uma careta daquelas porque provavelmente eu feri sua masculinidade te comparando a um ursinho de pelúcia (você provavelmente iria preferir ser comparado a um vibrador, mas acredite, um ursinho de pelúcia é mais intenso que um vibrador), só fiz essa metáfora idiota pra mostrar pra você o quanto vai ser doloroso te perder. Pra mostrar que, se isso acontecer, vou manter você em uma caixa dentro do meu coração e abri-la de vez em quando.  E vou me lembrar de como você é um cara intenso. Lembrar das nossas conversas intensas que varavam nossas madrugadas, daqueles olhares que a gente trocava, tão intensos que eu quase podia ouvir nossos olhos conversando.  E os beijos... Aqueles intensos que me deixavam com a perna bamba, uma estratégia sua pra poder me segurar com mais força.
                Eu não quero ter que te perder, não quero ter que guardar restos seus dentro de uma caixa e abrir só nos momentos que precisarei dessas lembranças. Não quero que você seja algo esporádico na minha vida. Eu quero sua presença, quero construir lembranças sim! Mas quero lembranças expostas. Quero lembranças vivas que serão renovadas com a nossa rotina. Intensas como eu e você. Intensas como nós.

(Ivana Guimarães)

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