sexta-feira, 5 de outubro de 2012

E se eu amar você?


E se eu amar você? Você vai continuar dizendo que sou linda e que seu mundo ficou mais bonito desde que entrei nele? A lua cheia vai continuar sendo a inutilidade que leva minha presença para a nossa ausência? Os corredores ainda serão pontos de encontros pseudos-casuais? Você finalmente vai revelar se é desses que pensam que a palavra amor tira a leveza do “se enamorar”?
E se eu amar você? O andar de mãos dadas vai ser tão natural quanto é? O roçar dos pelos na pele vai continuar arrepiando milímetro por centímetro vezes o metro? O queixo ainda vai encaixar na nuca como se um fosse a continuidade do outro? Os arranhões vão continuar existindo para lembrar que os corpos também produzem fogo e faísca? Você vai me olhar como se quisesse me ler com a mesma frequência?
Se for para tudo mudar, eu não quero falar sobre o que sinto.  Se for para perder a espontaneidade do compartilhar de fatos, dos elogios em momentos inesperados e do fazer brincadeiras só nossas, eu não quero que você saiba desse sentimento. Se a gente deixar de existir, se pra você for cedo de mais, eu não vou sentir. Ou melhor, vou fingir que não vou sentir. Se for para você fingir que não temos profundidade para falar de sentimentos, se for pra eu deixar de te abraçar e ouvir seu coração bater, não vou revelar, vou guardar as três palavras. Sou dessas que só fala se sentir, mas se for pra te perder, não me importo de ficar quieta.
Eu adoro quando estamos sentados e você dá um jeito de colocar a mão na minha coxa e quando você opina sobre a minha roupa. Tem também as vezes que você me inclui nas suas atividades e torce o nariz quando não te incluo nas minhas. E quando eu falo, falo, falo e você simplesmente me olha e me beija – e faz parecer que você não ouviu porque estava me olhando e não porque eu estava falando coisas que não importam pra você. Adoro quando você – mesmo sem querer – completa minhas frases. Enfim, adoro todas essas atitudes que mostram que temos intimidade e sincronia o suficiente pra você saber que é meu homem e eu sou sua mulher – com todas as profundidades dessa afirmação. Por isso meu caro, eu te pergunto... E se eu amar você?


(Ivana Guimarães)

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Esperas, noite, vento, nós dois.


                 O vento grita lá fora e eu acho que você não vai vir, mas coloco uma roupa que eu acho que você vai gostar. - Só por via das dúvidas - O céu escuro atrás do vidro da janela sugere que os ponteiros do relógio já estão quase na posição combinada e eu acho que você não vai vir, mas deixo os óculos de lado. – Só pra garantir – Prefiro não passar perfume e nem calçar, só para provar que não estou esperando você, só pra não parecer boba se você não vier.
                Até que você diz meu nome e entre a vontade de dar uma cambalhota e gritar de alegria, peço pra você esperar só um instante. Corro, calço alguma coisa que combine com a roupa e passo um perfume. Queria pensar em ir devagar pra ser sua vez de me esperar, mas eu simplesmente não penso quando o assunto é você. Até que, quase trocando os pés de tanta euforia, eu chego até você e aí posso te olhar. Seus olhos, seu queixo, seu sorriso, sua boca, sua barba por fazer, seu queixo de novo. Céus, como eu adoro seu queixo! E o vento sopra forte e me leva pro seu abraço, como se lá fosse meu abrigo, como se minha casa fosse seu corpo. Você sabe disso e ri do meu medo de vento e diz pra eu segurar bem forte. Até que você me beija e sua mão em meu corpo me faz esquecer que ainda estamos na porta de casa. E você sorri e eu também porque sabemos exatamente o que o outro está pensando. Você diz que devemos ir e eu concordo, damos as mãos e eu desejo poder ir pra qualquer lugar com você. E você brinca que vai mudar de calçada porque não quer que nenhum outro me olhe e eu penso que me satisfaço só por você me olhar.
                O vento continua lá e a noite nos observa andar pelas ruas, dando risada de tudo o que é bobo – como se não fôssemos dois grandes bobos. E as ruas são testemunhas das nossas palavras, das histórias que revelamos até chegar onde queremos. E chegamos! Que coisa de velhinhos, isso de andar de mãos dadas numa pracinha! Tenho vontade de rir alto e te dizer o quanto adoro isso tudo. O quanto adoro sentar do seu lado e encaixar meu corpo no seu, como se fôssemos um quebra-cabeça de duas peças. O quanto adoro olhar você e ter a oportunidade de gravar cada detalhe do seu rosto. E o quanto eu adoro a forma que você me olha e me faz pensar que você também está feliz.
                Ficamos horas com a noite e o vento nos admirando e penso que eles devem ter se apaixonado por nós dois. Não me ache prepotente querido, mas não posso deixar de lado a raridade disso que nós temos. Cumplicidade, parceria, vontade de entender o outro. De conhecer os detalhes – aqueles bem escondidos, bem ocultos. Nossa vontade de se entregar, mesmo que um dia possa dar errado. Sabe, pensei em não te esperar, mas eu esperei. Esperei porque eu sabia que você vinha pra mim. E você veio, veio porque sabe que eu pertenço a você.

(Ivana Guimarães)

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Brinquedo guardado


             
            Fico pensando no quanto você me deixa intensa. Tudo é intenso quando se trata de você. O coração disparado, as borboletas no estômago, a dor da ausência, a alegria do reencontro, a esperança do sonhar acordada e principalmente o medo de perder.
                Já perdi outros caras antes e sobrevivi. Na verdade, a sensação de superar a perda é ótima. É como quando você é pequeno e deixa um brinquedo quebrar, até que no próximo aniversário você ganha outro, um brinquedo mais legal, que trás mais diversão. E você esquece aquele outro, deixa o que restou naquela caixa com todos os brinquedos sem importância. Mas sempre tem um brinquedo que não é só um brinquedo, é aquele que se quebrar nunca vai ser reposto. Como aquele ursinho, que a mulher - já com trinta anos – encontra quando está arrumando coisas antigas e fica horas se entregando àquelas lembranças. Intenso, como você.
                Eu sei, você deve estar fazendo uma careta daquelas porque provavelmente eu feri sua masculinidade te comparando a um ursinho de pelúcia (você provavelmente iria preferir ser comparado a um vibrador, mas acredite, um ursinho de pelúcia é mais intenso que um vibrador), só fiz essa metáfora idiota pra mostrar pra você o quanto vai ser doloroso te perder. Pra mostrar que, se isso acontecer, vou manter você em uma caixa dentro do meu coração e abri-la de vez em quando.  E vou me lembrar de como você é um cara intenso. Lembrar das nossas conversas intensas que varavam nossas madrugadas, daqueles olhares que a gente trocava, tão intensos que eu quase podia ouvir nossos olhos conversando.  E os beijos... Aqueles intensos que me deixavam com a perna bamba, uma estratégia sua pra poder me segurar com mais força.
                Eu não quero ter que te perder, não quero ter que guardar restos seus dentro de uma caixa e abrir só nos momentos que precisarei dessas lembranças. Não quero que você seja algo esporádico na minha vida. Eu quero sua presença, quero construir lembranças sim! Mas quero lembranças expostas. Quero lembranças vivas que serão renovadas com a nossa rotina. Intensas como eu e você. Intensas como nós.

(Ivana Guimarães)

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

L-o-u-c-u-r-a


                Não tem uma explicação racional é tudo tão idiota que eu tenho medo de falar. Não é falta de confiança viu? É medo de falar e parecer uma criança mimada, ou uma adolescente carente, ou sei lá, medo de ser alguém que você nem imaginava que eu era.  Medo de você perceber isso e sair correndo porque nenhum homem inteligente como você quer ficar com uma garota louca como eu.  Você ta demorando tanto pra perceber isso que eu to até começando a duvidar dessa inteligência que eu tanto admiro.
                A minha loucura já está sendo comprovada só por eu estar aqui fazendo essa propaganda negativa. Veja bem, não sou dessas que não tem coragem de afastar um cara e por isso fica fazendo de tudo pra ele mesmo decidir se afastar. Isso é ser covarde e eu sou louca. Só to dizendo isso porque você está me dando a oportunidade de querer você. E o fato de eu esperar ansiosa o dia inteiro pela noite só porque sei que vou falar com você, e o fato de pensar em você até quando estou varrendo a calçada e o fato de eu custar pra dormir caso não tenha notícias suas e o fato de ficar boba quando você me elogia, só confirma que eu estou aceitando essa oportunidade.  E isso me apavora.
                Apavora porque eu vejo você aí, todo feliz. Todo inteligente e engraçado, todo cheio de valores. Esse seu jeito de respeitar uma mulher, esse seu jeito de ser uma exceção no meio de um bando de babacas. Não consigo entender o que um cara como você, veria numa garota como eu. Não é pra me menosprezar sabe? Eu sei dos meus defeitos, mas também sei das minhas qualidades. É só que você me faz tão, tão, tão, tão feliz que penso que é praticamente impossível eu retribuir isso.  Não porque não quero, mas porque nunca ninguém me deu a oportunidade de fazer isso. E confesso, eu não sei se consigo. E isso é o que mais apavora. Eu nunca me perdoaria, se machucasse você. 
             Que louco não é? Falando assim, até parece que tudo é um grande engano. Um erro. É um erro querer você da forma que eu quero, é um erro esperar tanto da gente, mas o que eu posso fazer? Nunca fui uma menina muito certa mesmo. Essa enrolação toda foi só pra te dizer que eu sou uma louca. Tão louca que resolvi me entregar, resolvi me permitir querer você. A minha loucura não me permite te deixar porque sou louca por natureza, mas ja faz tempo que além disso, sou louca por você.

(Ivana Guimarães)

terça-feira, 24 de julho de 2012

Sem perfeição.


           Eu tenho raiva desses textos que descrevem as atitudes que os homens devem ter com suas garotas. Parece que nós mulheres somos rainhas e os homens simples servos que têm que fazer tudo para nos agradar e nos servir. Certo, concordo que meu pai me criou como princesa e que por isso devo ficar com um cara que me faça rainha. Mas eu não quero um bobo da corte. Não quero do meu lado um ser que aja como se eu não soubesse fazer nada. Veja bem, esse não é um discurso feminista e nem estou dizendo que não gosto de carinho e atenção, muito menos que queira uma babaca do meu lado. Homem pode e deve tratar bem, mas nós mulheres, devemos entender que homens de comédia romântica, de romances do Nicholas Sparks e príncipes de contos de fadas são lindos só na ficção. 
Teu namorado não vai saber se seu esmalte é rosa pink ou rosa chiclete e também não vai reparar que você tirou as pontas do cabelo. Ele não vai perceber que você emagreceu um ou dois quilos e também não vai saber a diferença de azul piscina e azul claro, então se ele disser que você pode ir com qualquer roupa é porque ele acha que você está bem com qualquer tom de azul. Não é porque ele está fazendo pouco caso do seu dilema, ele apenas está sendo sincero. Ele vai sim te beijar na testa, mas acredite, ele prefere mil vezes te beijar na boca e por mais que ele seja fofo, nada vai mudar isso. Seu homem não vai só te chamar de linda, ela também vai te chamar de gostosa. Isso mesmo GOSTOSA. G-O-S-T-O-S-A. Acostume-se, ele te chamar de gostosa, não significa que ele te ache vulgar. Significa que ele tem tesão por você, e acredite você vai preferir que ele chame você assim e não aquela fulaninha que fica correndo atrás dele.
Ele vai te dar flores, vai te fazer elogios, vai te dar carinho. Mas você também vai fazer isso, porque nós mulheres temos que parar de achar que homem não tem sentimento, que homem não se importa. O cara do seu lado também precisa saber o quanto você quer ele, o quanto você tem vontade de estar com ele e o quanto você é feliz ao lado dele. Ele vai te magoar, vai te irritar, vai te decepcionar, vai mostrar que não é perfeito. Mas você também vai fazer isso, porque você é tão humana quanto ele. E só depois de aceitarem os defeitos um do outro que vocês poderão dizer que o sentimento é amor. Relacionamentos são assim. Você e ele. Ele e você. Duas imperfeições que juntas se tornam um perfeição repleta de falhas. E são essas falhas que fazem tudo ficar interessante.


(Ivana Guimarães)

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Ele/ela merecem.


“- Você ta aqui?
- To sim.
- Em outros tempos você sempre dizia quando vinha.
- Em outros tempos você fazia questão de saber.
- Vamos sair, eu sinto saudades.”



                E eles saíram. Saíram porque ele não guardou amor e nem ela rancor. Saíram porque os sons de suas risadas eram muito mais bonitos quando estavam juntos.  Saíram porque precisavam disso. Marcaram de se encontrar na mesma praça de sempre, de baixo daquela mesma árvore que tinha suas iniciais gravadas no tronco. De início conversa boba. Palavras escolhidas e pensadas. Era estranho, a consideração maior que o orgulho. Não queriam mostrar que estavam felizes, era como se isso diminuísse a importância que tiveram. Até que a pergunta “e como vai o coração?” saiu dos lábios dele. E foi inevitável impedir o brilho que saiu dos olhos dela.
                Assim, sem mais nem menos, todo o jogo de palavras foi pro espaço. Porque os olhos dela sempre falavam mais. Os olhos dela sempre brilhavam quando ela estava feliz. E quando ela abaixou o rosto para esconder as bochechas corando, ele teve a certeza de que ela tinha um novo amor. Um cara, que diferente dele lhe daria valor, sorriu diante disso. Ela também sorriu, sabia que ele estava sendo sincero. As palavras dessa vez saíram por vontade própria, não precisavam mais escolhê-las, não precisavam mais esconder o que acontecia porque ambos estavam felizes.
                E se despediram, prometeram não perder contato. Não era mais necessário fugir da presença um do outro. A vida é assim às vezes. Não tem porque ignorar alguém que tantas vezes fez seu coração bater mais forte. Ao deixá-la em casa e ao vê-la subir as escadas e olhar para trás soprando um beijo – como sempre fazia – ele sorriu e desejou que aquele cara pudesse fazê-la feliz. Que ele entendesse que sempre que ela precisa dizer algo importante, dá voltas e voltas para falar, como se tivesse tomando coragem ou ainda como se quisesse adiar o momento de falar. Mas fala, porque ela é sincera como ninguém. Que ele entenda que ela chora à toa e que quando está naqueles dias ela chora mais ainda, principalmente depois (mostrando que está arrependida) de gritar dizendo que o mundo a odeia e que tudo dá errado.  Que esse cara pegue o pequenino rosto entre as mãos e diga olhando nos olhos dela que a adora, porque ela tem a mania de esquecer que ela é aquele tipo de garota que todo cara quer por perto. Ele liga o carro desejando que ela de fato esteja e seja feliz, porque ela merece.
                Ela ouve o carro partir e deseja de coração que ele possa encontrar a garota que ele tanto sonha. Ela espera que seja uma garota que o entenda. Entenda que ele prefere se calar quando algo vai mal, e que no momento certo ele vai se abrir. Entenda que, ao contrário do que os outros pensam, ele adora falar sobre o pai que já partiu.  Uma garota que saiba que ele adora conversas olho no olho, uma garota que decifre seus sinais. Como aquele de coçar o queixo – um sinal de nervosismo – ou aquele de estalar os dedos – um sinal de raiva – ou ainda, aquele de franzir o cenho – um sinal de preocupação. Ela vai para o quarto desejando que ele de fato esteja e seja feliz, porque ele merece.

(Ivana Guimarães)

domingo, 24 de junho de 2012

Dúvidas da saudade


E todos os dias ele se faz as mesmas perguntas. Quer saber se algum outro cara um dia reparou – ou vai reparar – nela da mesma forma que ele repara. Ele tem certeza que ninguém nunca percebeu que ela morde o lábio inferior quando está nervosa e que por mais que provoque um cara, ela fica sem jeito quando recebe um elogio.  Gosta do café com adoçante, coloca poucas gotas, mas sempre bate com a colher três vezes na xícara. Ela tem um sorriso lindo e se você reparar bem, vai perceber que ela sorri mais pra um lado que para o outro e isso dá um charme todo especial.
Todos os dias, ele se pergunta se algum dia ela revelou – ou vai revelar – para outro cara que chora escondido sempre que briga com alguém e que uma vez, quando era criança, ficou meses com peso na consciência porque roubou um bombom das Lojas Americanas.  Será que contou – ou contará – sobre como ela ficou péssima ao descobrir que durante anos confiou em uma amiga que não hesitou em passar por cima dela quando foi preciso? E quanto sua primeira decepção amorosa? Na sexta série ela quebrou uma régua batendo no garoto que gostava porque ele comprou um lanche para outra menina... Algum outro cara sabe – ou saberá – disso?
Ele não pode evitar. Todas as noites, se pergunta se ela riu – ou vai rir – com outro, quando o assunto for o ex namorado que virou gay ou a coca-cola que ela jogou em um cara só por que ele chamou a melhor amiga dela de gorda. Ela vai colocar a mão na testa e dar um sorriso sem-graça ao confessar que sua falta de paciência já rendeu boas brigas, mas também ótimas risadas? Vai colocar o cabelo pra trás da orelha e reclamar que nunca consegue dar um jeito nele? Talvez ela apenas ria, talvez ao colocar os cabelos para trás ela se lembre dele... De como ele sempre dizia que ela era linda, até com o cabelo bagunçado e que não precisava dar um jeito nele, porque aquele jeito já era perfeito pra ela. Quem sabe ela prefere esconder a história do bombom, só porque quando ela contou para ele, ele respondeu que era melhor - ou pior, ela decidia - do que ela, pois até a adolescência ele pegava bombons das Lojas Americanas.
Talvez, quando ela estiver com outro cara, pense nele... E lembre que ela nunca precisou jogor coca no rosto dele, mas que na primeira vez que fizeram amor, ela deixou a garrafa de vinho – tinto, pois era o preferido dela – cair e eles não puderam fazer um brinde pelos dois. Ela pode se lembrar das vezes em que ficaram deitados no sofá e ela sempre pedia para ele cantar pra ela, pois sua voz a acalmava e lhe dava bons sonhos. Talvez ela tenha as mesmas perguntas... E talvez, ela também não tenha a resposta para a pergunta que mais machuca seu coração: por que afinal eles não estão juntos? 

(Ivana Guimarães)

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Corações curados


            Duas pessoas, dois corações partidos. Lembro que foi isso que pensei quando eu e você conversamos sobre nossos ex-casos, quer dizer, eu falei sobre o meu ex-caso e você falou sobre sua ex-namorada. Até fiquei com raiva quando você usou seu ar de desdém e disse “ahh você é nova ainda, não pode ficar assim por alguém que nem namorado foi” e eu quase retruquei que já estava começando a entender o motivo dela ter deixado você. Você e essa rabugice sem fim, essa paranoia toda sobre idades e relacionamentos, esse bla bla bla seu que hoje é tão atraente pra mim. Pois é, eu mordi a língua bem forte pra não falar e não parecer tão rabugenta quanto você, respirei bem fundo pra não dizer qualquer bobagem e perder a oportunidade de conhecer você. Valeu a pena.
                Valeu porque eu pude conhecer você e permitir que me conhecesse também. E pude aprender. Aprender que você é desses caras que colocam um sorriso no rosto independente dos mil problemas que tenha e que sua rabugice é apenas uma forma de proteção. Aprendi que você adora um futebol, mas que larga tudo pelos seus amigos e que é muito melhor ficar em casa agarradinho, escutando uma boa música do que dar uns amassos na parede de alguma boate. Eu aprendi sobre você a aprendi sobre mim também. Aprendi que eu posso acreditar em mil contos de fadas, mas minha insegurança não me deixa ver que o príncipe ao meu lado pode me querer. Aprendi que eu sei esperar, e que por mais que eu tenha vontade de pedir que você me jogue na parede e me ame no corredor, não há nada melhor que o momento que você me abraça e eu sinto seu cheiro em mim.
                Eu não esperava que fosse assim. Acreditei que você seria uma tentativa inútil de tentar curar meu coração partido, aquela tentativa frustrada que no final só me mostraria o quanto é idiota beijar uma boca, já que uma outra boca me desprezou. Acreditei que o seu coração quebrado, não seria consertado por uma garota tão inexperiente e boba como eu. E no fim das contas, olha só... Eu to aqui, rindo feito boba das coisas que você faz por mim e feliz por saber que você se importa comigo. E a gente está assim, de corações colados, curados. Duas pessoas e dois corações que já estão inteiros.

(Ivana Guimarães)