E se eu
amar você? Você vai continuar dizendo que sou linda e que seu mundo ficou mais
bonito desde que entrei nele? A lua cheia vai continuar sendo a inutilidade que
leva minha presença para a nossa ausência? Os corredores ainda serão pontos de
encontros pseudos-casuais? Você finalmente vai revelar se é desses que pensam
que a palavra amor tira a leveza do “se enamorar”?
E se eu
amar você? O andar de mãos dadas vai ser tão natural quanto é? O roçar dos
pelos na pele vai continuar arrepiando milímetro por centímetro vezes o metro?
O queixo ainda vai encaixar na nuca como se um fosse a continuidade do outro?
Os arranhões vão continuar existindo para lembrar que os corpos também produzem
fogo e faísca? Você vai me olhar como se quisesse me ler com a mesma
frequência?
Se for para
tudo mudar, eu não quero falar sobre o que sinto. Se for para perder a espontaneidade do
compartilhar de fatos, dos elogios em momentos inesperados e do fazer
brincadeiras só nossas, eu não quero que você saiba desse sentimento. Se a
gente deixar de existir, se pra você for cedo de mais, eu não vou sentir. Ou
melhor, vou fingir que não vou sentir. Se for para você fingir que não temos
profundidade para falar de sentimentos, se for pra eu deixar de te abraçar e
ouvir seu coração bater, não vou revelar, vou guardar as três palavras. Sou
dessas que só fala se sentir, mas se for pra te perder, não me importo de ficar
quieta.
Eu adoro
quando estamos sentados e você dá um jeito de colocar a mão na minha coxa e
quando você opina sobre a minha roupa. Tem também as vezes que você me inclui
nas suas atividades e torce o nariz quando não te incluo nas minhas. E quando
eu falo, falo, falo e você simplesmente me olha e me beija – e faz parecer que
você não ouviu porque estava me olhando e não porque eu estava falando coisas
que não importam pra você. Adoro quando você – mesmo sem querer – completa minhas
frases. Enfim, adoro todas essas atitudes que mostram que temos intimidade e
sincronia o suficiente pra você saber que é meu homem e eu sou sua mulher – com
todas as profundidades dessa afirmação. Por isso meu caro, eu te pergunto... E
se eu amar você?
(Ivana Guimarães)







